O tempo torna-se tempo humano na medida em que é articulado de um modo narrativo, em compensação, a narrativa é significativa na medida em que esboça os traços da experiência temporal.
Paul Ricoeur
199nta.
12 anos, e já despontava como uma consumidora fiel ao som e imagem juvenil transpassado no rock ´n´ roll. A indústria cultural através dos meios de comunicação – rádio, televisão e cinema, havia se esbarrado em mim, mais uma espectadora, alguém que passaria também a sintonizar o Rock, ouvir, ver, sentir, vestir, consumir, consultar a coluna de discos de um jornal ou prateleiras de uma loja, comprar ingressos. Só faltava conhecer o que estava para além desse mercado, no meio underground.
Até os anos 60, as gravadoras não investiam no estilo de música rock ´n´roll, pois o encaravam como “mais um modismo passageiro da indústria cultural.”¹ E nesse sentido, sobre os anos 80, o cantor Marcelo Nova afirmou existir esse "modismo passageiro" ao comentar, numa entrevista, sobre o impacto que o gênero rock ´n´roll teve no Brasil:
Essa sentença de “modismo passageiro” passou a ser usada também para se referirem aos jovens que ouviam rock. Minha mãe, mesmo, ansiava que a “fase rocker” passasse. No meio rocker, foi adotada para definir algumas pessoas ditas posers ou, literalmente, figurantes do modismo passageiro - aqueles que frequentam a cena underground por um tempo e nunca mais aparecem. Já adulta, esse discurso passou a ser confirmando por pessoas que afirmam que quem ainda ouve rock e frenquenta a cena underground, não passa de um eterno adolescente. Se consumir a música, do mesmo jeito de quando fui apresentada na infância e nas fases pré e adolescente, com curiosidade, paixão e entusiasmo, for ser juvenil, então, isso foi incorporado à consciência adulta. A música foi e é de importância na minha trilha sonora pessoal.
Até os anos 60, as gravadoras não investiam no estilo de música rock ´n´roll, pois o encaravam como “mais um modismo passageiro da indústria cultural.”¹ E nesse sentido, sobre os anos 80, o cantor Marcelo Nova afirmou existir esse "modismo passageiro" ao comentar, numa entrevista, sobre o impacto que o gênero rock ´n´roll teve no Brasil:
"Em termos nacionais, o rock dos anos 1980 era um modismo.
Tanto que isso durou 4 ou 5 anos apenas. Infelizmente, no Brasil isso é assim.
Você tem destaque na mídia por determinado tempo."
Essa sentença de “modismo passageiro” passou a ser usada também para se referirem aos jovens que ouviam rock. Minha mãe, mesmo, ansiava que a “fase rocker” passasse. No meio rocker, foi adotada para definir algumas pessoas ditas posers ou, literalmente, figurantes do modismo passageiro - aqueles que frequentam a cena underground por um tempo e nunca mais aparecem. Já adulta, esse discurso passou a ser confirmando por pessoas que afirmam que quem ainda ouve rock e frenquenta a cena underground, não passa de um eterno adolescente. Se consumir a música, do mesmo jeito de quando fui apresentada na infância e nas fases pré e adolescente, com curiosidade, paixão e entusiasmo, for ser juvenil, então, isso foi incorporado à consciência adulta. A música foi e é de importância na minha trilha sonora pessoal.
E o ano de 1990 iniciou com o Guns ´n´ Roses dando o tom para sentimentos e sensações vividas numa viagem de ônibus, com meu tio e primos, para o Rio de Janeiro, sem nenhum show à vista, mas um Estado que retornaria, anos mais tarde, para shows. Esse ano não
foi expressivo musicalmente nas minhas anotações diárias, mas a década seria. Seguia pré-adolescente, processando as informações, com os ouvidos grudados no rádio, indo a shows e freqüentando as salas de cinema e de casa (TV). As anotações dos aniversários dos artistas ganhavam um molde biográfico. Em julho, a morte de Cazuza, mais um artista que perdia a luta contra a AIDS. Revistas sobre música e cinema enchiam o quarto rosa, inclusive as paredes, com alguns posters de bandas já... Os vinis de meus pais e meu irmão eram agora mais meus do que deles.
Eu ouvia desde música clássica a The Fevers, Frank Sinatra a Madonna, Queen e Iron Maiden. Meu irmão tinha o álbum “Somewhere in Time”. Só um pouco depois, já com outros álbuns do Iron Maiden na coleção, foi que percebi que o vinil estava trocado pelo do “Maiden Japan” (era uma prática comum trocarem os discos nas lojas). Então, o meu primeiro contato com a banda Iron Maiden foi através da capa do álbum “Somewhere in Time”, com o vinil do “Made in Japan”. Bruce Dickinson, na verdade, Paul Di'Anno. Estava sentada no quarto de meu irmão, conferindo o erro do vinil, que ficava guardado dentro do armário com outros... E rindo. A identificação com o Iron Maiden havia sido imediata, a ponto de mudar o meu gosto, em definitivo, da guitarra (Brian May) para o contrabaixo elétrico (Steve Harris).
No ano de 1992, o Iron Maiden saiu em turnê – “Fear of the Dark Tour” - e tocou em agosto, em São Paulo. Eu pedi muito a meu pai para ir vê-los, mas, no auge dos meus 14 anos, tive o pedido negado: “quando você fizer 18 anos, você vai”. Logo depois, uma notícia abateu-me: Bruce Dickinson havia saído da banda para seguir carreira solo. Briguei com meu pai por não ter me deixado ir ao show – “nunca mais vou ver Dickinson”, lembro-me do meu drama como se fosse hoje... Quatro anos depois, como prometido, subia num ônibus, só com headbangers baianos, numa viagem memorosa para a cidade de São Paulo para ver, entre outras grandes bandas, o Iron Maiden (“Monsters of Rock”, 1996). Com Blaze Bayley nos vocais.
Em 1997, Paul Di'Anno saiu em turnê, com passagem por Salvador - BA. O palco foi dividido com a banda baiana, Shadows. Tinha acabado de ser lançado o "Words of Metal", a primeira e única edição impressa do meu fanzine, sob novo nome (antes era "Bluêrgh!"). Apresentou-se em terras soteropolitanas também, Blaze Bayley, carreira solo, após, finalmente eu ter visto o Iron Maiden com Bruce Dickinson nos vocais. E isso foi só no outro século, ano 01, no Rock In Rio III. Dezesseis anos após a primeira edição, onde abriram para o Queen, nove anos após a turnê do “Fear of the Dark”. O Rock In Rio III, até agora (2019), foi o último show do Iron Maiden que vi. Éramos 250 mil pessoas vidradas no palco. Quer dizer, eu, nos telões. Tinha um mar de gente na minha frente. Nesse dia, decidi que nunca mais iria a um show tão grande como aquele. Que não somaria no público apaixonado e descontrolado. Queria sossego e qualidade para poder ver bandas ao vivo e a cores.
Em março de 1990, os ânimos estavam voltados para o evento Hollywood Rock, transmitido pela Rede Globo de Televisão. No mês seguinte, desabafava ter comprado, “finalmente”, um disco de Bon Jovi. Estive presente em shows, ao vivo e a cores, de grupos como Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana. De nenhuma dessas bandas fui fã à época, e sigo sem sê-lo, mas tinha músicas que gostava, músicas que tocavam na rádio. Rádio, meu passatempo ainda favorito, através do qual eu seguia gravando fitas cassete de programas, como o especial de John Lennon transmitido pela Globo FM, no mês de dezembro.

Meu pai não me deixou ir para o show do Sepultura na Concha Acústica (1991). Talvez tenha sido pelo fato de, nessa época, reportagens sobre tribos urbanas - punks, rockabillies, headbangers, skinheads - terem passado na TV, e isso deve ter assustado um pouco... Dez anos depois, vi tocarem no Rock In Rio III, porém, desinteressada na turnê do álbum "Nation", oitavo álbum de estúdio. Apesar de ter chegado a ouvir o "Chaos A.D." e "Roots", já não me identificava mais com o som da banda. E o Kreator, vi apresentarem-se na casa de shows "Rock In Rio Café", juntamente com o Destruction, shows inesquecíveis que entraram para a história baiana, no século seguinte. Gostava tanto do "Matéria Prima", que registrei no diário, na data 05 de novembro, a comemoração do seu centésimo programa.
A inclinação para o Rock estava mais do que definida. Os outros estilos musicais já não chamavam a minha atenção. Não foi coincidência de nesse ano ter ido, pela primeira vez, ao cinema, sozinha. O filme era “Vítimas de uma paixão”, com Al Pacino. E nem de ir a um show, sem a presença de meu pai e família, Legião Urbana (10 de novembro). Havia uma mudança, um novo olhar.
Meus pais foram votar, tomei nota dos seus candidatos, entre eles, para 'governador do Estado', Lídice da Mata. A Bahia vivia sob a politicagem de Antônio Carlos Magalhães, político contra o qual, meus pais fervilhavam no posicionamento adverso ideológico. Collor, então presidente do Brasil, já começava prejudicial ao país, apesar de, em 13 de julho ter sancionado a Lei n° 8069/90, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei que deveria ter significado uma nova forma de perceber a criança e o adolescente.
Fonte:
¹ Livro "Movimentos culturais de juventude", de Antonio Carlos Brandão e Milton Fernandes Duarte. SP: Moderna, 1990.
Dica de leitura:
1. O comportamento do consumidor de música frente às diferentes mídias, publicado em 28/08/2018. Visitado em 05/08/2019.
Meus pais foram votar, tomei nota dos seus candidatos, entre eles, para 'governador do Estado', Lídice da Mata. A Bahia vivia sob a politicagem de Antônio Carlos Magalhães, político contra o qual, meus pais fervilhavam no posicionamento adverso ideológico. Collor, então presidente do Brasil, já começava prejudicial ao país, apesar de, em 13 de julho ter sancionado a Lei n° 8069/90, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei que deveria ter significado uma nova forma de perceber a criança e o adolescente.
Fonte:
¹ Livro "Movimentos culturais de juventude", de Antonio Carlos Brandão e Milton Fernandes Duarte. SP: Moderna, 1990.
Dica de leitura:
1. O comportamento do consumidor de música frente às diferentes mídias, publicado em 28/08/2018. Visitado em 05/08/2019.






