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| Instagram: @vivoacores |
27 de novembro de 2019
8 de novembro de 2019
24 de outubro de 2019
Clipping Metálico
➽ "O 'thrash-metal' namora o erudito", por Hagamenon Brito. Salvador - BA, 31/07/1992. Caderno 2, Jornal A Tarde.
➽ Entrevista com a banda Gridlock. Salvador - BA, 10/09/1995, "Jornal da TV" - Bahia Hoje.
11 de outubro de 2019
Ao Vivo e A Cores, Casa da Romana, 1994-95
Ao vivo e a cores, Casa da Romana, Imbuí, Salvador - BA.
A "Noise Maker Produções" era de Vicente Serra de Azevêdo e Yuri Bonebreaker.
A "Noise Maker Produções" era de Vicente Serra de Azevêdo e Yuri Bonebreaker.
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| Cartaz de Show |
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| Sérgio Baloff (Headhunter DC), como frontman, também, da banda Obliteration. 1995 |
22 de agosto de 2019
Correntes e couro
Se, até então, a rádio,
a televisão, o cinema (mais o acervo familiar) apresentavam-me músicas, no
cenário underground, as capas de discos “se” mostravam, assim como o próprio
nome das bandas; além disso, amigos e os funcionários das lojas indicavam o que
ouvir e as bandas baianas, ao acrescentarem em seu repertório covers, cumpriam
esse papel também. Havia um “intercâmbio cultural” de ideias, de produtos, de
música, de arte.
Um amigo ligou-me e me disse
que tinham lhe indicado um álbum épico que eu tinha que ouvir: “Nightfall”, do
Candlemass. Um marco na minha vida! Esse amigo era Ricardo, baixista da
Shadows, banda de heavy metal baiana que estava pra nascer. E quem lhe indicou foi Leonardo Leão, vocalista. Através da Shadows conheci
bandas como o Running Wild, com o cover de “Evil Spirit”, do álbum “Branded and
Exiled”. O Candlemass, eu vi ao vivo no Wacken Open Air (W.O.A., 2005, Alemanha) e em São
Paulo (2006). Já vivenciando o mundo virtual, cheguei a conversar em chat
privado com Meassiah Marcolin, vocalista da banda. O Running Wild pude
acompanhar, ao vivo, no W.O.A (2018), aproveitando-me da tecnologia virtual para vê-los, já que não viajam de avião e, infelizmente, não nos ‘encontramos’ ao vivo e a cores.
E quanto mais
underground, melhor. As bandas eram um achado, pertenciam apenas ao nosso meio.
Era difícil conseguir material e gravávamos fitas cassetes uns para os outros,
pegávamos material emprestado, comunicávamo-nos pelo telefone, nas lojas, nos eventos. Alguns clipes passavam
em programas na TV, além de alguns shows ou especiais. Para acessar a MTV aqui, tinha que ser via antena UHF ou fitas VHS gravadas para mim pela minha amiga e colega paulista, Adriana Moreira "Madonna". Tinha a assinatura da revista
Rock Brigade e acesso a outras revistas como Top Rock e algumas estrangeiras, o
que permitia conhecer mais alguma coisa para além dos álbuns. Só o tempo e a
tecnologia mudariam esse acesso, tornando tudo disponível ao grande público,
desde uma rara demo-tape ao contado com membros de uma banda. E quando refiro-me a material, era tanto das bandas mais conhecidas, quanto as de garagem.
Além das lojas Bazar e
Maniac no Orixás Center, tinha a Coringa e depois abriu a Blood, ambas situadas
no Espaço Tuiuti. Tinha também a Kaya, Mutantes e umas outras lojas ali pelo Centro que
não me recordo os nomes... Em uma loja que ficava próximo à ladeira da Kaya, eu
comprei vinis usados e o vendedor foi uma figura importante em me
apresentar músicas fora do Metal, como Johnny Winter. Eduardo Slayer, vocalista da banda The Cross, abriu uma loja em Brotas: Metal Forever; e, quando a Blood fechou as suas portas, no local passou a funcionar a Metal Castle. E foi fora do circuito
underground, no início dos anos 90, que eu conheci o então vocalista da banda
Mercy Killing, Bruno, que trabalhava na loja de discos ‘A Modinha’, num shopping. Estava tudo interligado e todos os caminhos trilhavam um consumo fidedigno
musical.
Na porta da loja Bazar,
conheci o vocalista da Headhunter D.C., Sérgio Baloff, e Lyo, à época,
baterista da Slavery. Foi uma honra tê-los conhecido. Eu e minha amiga tínhamos
acabado de comprar o recém lançado debut álbum e clássico, “Born... Surfer...
Die”. O vinil da Slavery, eu compraria, meses depois, na, então, nova loja,
“Sound & Vision”, no bairro Costa Azul (depois foi para a Barra). E foi lá que votei para melhor banda, vocalista, guitarrista, etc., infelizmente não tenho anotado nada referente a isso, mas era só sobre músicos e bandas do nosso cenário. Vários vinis que tenho, vale dizer, têm na
parte de dentro escrito o nome da loja na qual foi adquirido, achava importante
o registro. Todas as lojas marcaram época, e, hoje, segue na resistência mercadológica tradicional, a Bardos Bardos Casa da Trinca, situada no bairro do Rio Vermelho.
Recentemente, à leitura
desse blog, um conhecido da época relatou-me que eu fui, talvez, a primeira
pessoa a ter no formato CD, o “Let Us Pray”, do Vital Remains. Banda que pude
entrevistar, via e-mail, quando o fanzine Words Of Metal ganhou um formato
online. Fui uma das primeiras a aparecer com o “Candlemass LIVE”; amigos
queriam comprá-lo de mim. Meu primeiro CD mesmo, eu nem tinha CD player ainda:
“Queen at Wembley”, duplo. Outro conhecido da cena, lembrou-se das tardes de bate-papo
na Blood. Na Blood, recordo-me também de ter comprado dois vinis da banda Sanctuary:
“Refuge Denied” e “Into the Mirror Black”. Álbuns que estavam reservados para
um comprador que, há dias, não aparecia para pegá-los... Quando eu estava no
ponto de ônibus, avistei ao longe um cabeludo vindo correndo em minha direção e
ainda ofegante lamentou: “cheguei tarde para pegar esses álbuns. Você pode me
emprestar para eu gravar?” Trocamos telefones e dias depois emprestaria os
álbuns a Sacha. E depois eu descobriria que ele cantava muito, inclusive
lembrava a entonação de Warrel Dane (07/03/61 – 13/12/17)...! Ele era vocalista
da banda Scarlet e Disarmonic Rising. Saudoso Sacha, morto precocemente num acidente. Fui ao seu
enterro no Campo Santo. Outro que perdemos na cena, também nos anos 90, num
acidente, foi Júnior, da Bazar. O
underground baiano enlutava-se, cedo.
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| Cartaz de ato contra Bolsonaro, julho/2019. |
A vestimenta resumia-se a blusas de bandas e calças jeans rasgadas manualmente. Em determinado momento, escrevi um trecho de letra de uma música da Mercy Killing na calça. E a calça boca de sino, influenciada pela banda Dr. Cascadura, minha mãe conseguiu que uma costureira a fizesse. Saias hippies reverenciavam o Festival Woodstock. O calçado era tênis. Ou sandálias de dedo mesmo... Minha mãe procurava em lojas dos padres no Centro da cidade, crucifixos... Minha bijuteria era adquirida na mão de hippies, principalmente na Praça da Piedade. Não usava correntes e couro, material difícil de achar em Salvador inclusive, apenas cantava junto com a música mesmo...
No século seguinte, a Maniac reabriria as suas portas e novamente, eu e amigos, freqüentaríamos a loja, não só consumindo produtos, mas indo a eventos por ela realizados e patrocinados, e ouvindo muito Metal. Ajudei com a organização do show do Angra, com Eduardo Falaschi nos vocais. Anos antes, a banda Angra, com André Matos (14/09/71 – 08/06/2019), apresentou-se em terras soteropolitanas e, na tarde de autógrafos, levei a primeira edição do meu fanzine, Bluêrgh!, para eles. Aos sábados, era certo ouvirmos as coletâneas SP Metal.
Nos anos 90, a loja
Coringa também realizou e patrocinou eventos, inclusive o meu fanzine, à época rebatizado
de Words of Metal. E eu também patrocinei um show realizado pela loja, no
Pelourinho de Nazaré: Rotting Christ, Mystifier, Lethal Course (SP) e Shadows. Ainda
em 1995, com o Bluêrgh!Zine, as lojas Coringa e Mutantes patrocinariam dois
eventos que arrisquei fazer no Hotel Pelourinho, que, na época, cedia espaço
para bandas de Metal tocarem. Lá teve, por exemplo, o Viper, com Pit Passarell
nos vocais, foi muito bom! Em 2012, o Viper retornou aos palcos, no Groove Bar, com André Matos, vocalista da formação original, na turnê "To Live Again", em comemoração aos 25 anos do disco "Soldiers of Sunrise" - foi histórico! Para o show que fiz, convidei bandas como a Noxius, Mercy Killing, Crotalus, Gridlock,
Síncope e Shadows. Foi uma experiência incrível, mas para nunca mais me meter
com produção!
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P.s.: Grata a Sérgio Baloff, Paulo Camurugi, Serafin Vila, Merlim, Leão e Rogério Bigbross por me ajudarem na lembrança perdida na memória!
Links:
16 de agosto de 2019
The Show Must go On and On
Parte Um
Uma amiga da época
de escola convidou-me para conhecer umas lojas de vinil no Centro da
cidade. O nome do shopping era Orixás Center e as “lojas de heavy” (como eu
chamava), Bazar e Maniac; e uma outra loja, localizada ali pelas redondezas, era a Coringa. Chegávamos a pé a um novo universo que mudaria o meu
contato com a música. Televisão, rádio e trilhas sonoras passariam a ser fontes
secundárias. Agora, emergia uma espectadora 'independente' inserida num contexto adverso, underground.
Não raras vezes, fui a
essas lojas na companhia de meu pai e irmão ou primos. Eu tinha 13 anos. A
entrada da Maniac assustava um pouco devido à quantidade de gente que ficava
sentada do lado de fora da loja. E as perguntas feitas ao meu irmão sobre o
Iron Maiden, por eu ter comprado algo da banda, também. "Conhecer o que ouve", talvez, tenha sido a primeira lição apreendida no cenário underground. Mais uns meses e eu faria
parte desse grupo freqüentador das lojas, sentando-me no bar “Amarelinho”,
exatamente em frente à Bazar, porém, sem fazer perguntas...
Comprava acessórios e
vinis. A percepção desse novo mundo ganhava um olhar próprio, um gosto particular, e
o cenário underground apresentava-se apropriado em meio às suas crenças,
atitudes, valores e comportamentos: fazia sentido estar ali.
Vivia um misto de modificação hormonal, emocional, de estrutura de pensamento, de
transição da infância para adolescência e tudo isso embalado pela música, num estado de desobediência, insubordinação e independência ambivalente.
Meu apelido, herdado em 1988 de uma vizinha de mesmo nome, assumiu uma nova escrita, idealizada por uma colega de sala.
A mesma quem me deu a letra da música “Footloose”, de Kenny Loggins. Eu gostava
muito de saber as letras das músicas. Era comum comprar, nas
bancas de revistas, revistinhas que traziam não só as letras, mas cifras de
música para violão (e eu estava aprendendo a tocar teclado; o violão seguia encostado na
parede). Ainda busco por letras de músicas em site de buscas, afinal, música também é letra! E foi assim que consegui, nos anos 90, com Ronaldo Pitanga, a letra de “Smoke On The Water” (Deep Purple), música interpretada pela sua banda Síncope. Meu apelido “Dibi”, agora
já praticamente um sobrenome, virou “Dibby”.
Continuava freqüentando shows, às vezes com colegas, a maior parte com primos. Na casa de shows Kripton, vi bandas como a baiana Utopia (que pensei conhecer apenas da rádio e não dos palcos também). No Centro de Convenções, vi a primeira banda estrangeira apresentar-se, ao vivo e a cores, A-ha, na data de 05 de junho. Desse show, que teve um extenso atraso devido à falta de luz, saí com uma foto de Morten e de Axl Rose, compradas nas mãos de um vendedor ambulante, e com uma revistinha (distribuída gratuitamente por uma escola de inglês) que continha as letras das músicas, parte do setlist do A-ha. Dali uns meses, eu estaria pegando
dos palcos alguns setlists de apresentações de bandas locais...
Inclusive, setlists da banda do colega de meu irmão, André Moisés. Ele, sabendo que eu gostava de rock e já algo de heavy metal, emprestou-me uma fita VHS com videoclipes de várias bandas, na verdade, clássicas bandas. Foi importantíssimo ter tido esse contato na época! André era baterista da Mercy Killing e, logo mais, eu usaria o nome dele e o de Léo, baixista (amigo de meu primo) para poder frequentar ensaios e shows mais undergounds. Entrevistei André, na época em que tive o fanzine.
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| Foto para o Bluêrgh! Zine. |
E, falando em meu irmão, em 05 de maio (e se a data não foi essa, perdoem-me, sigo o diário), teve um show na Concha Acústica que meus pais não me deixaram ir. A minha memória
associou à proibição, programas televisionados sobre tribos urbanas; porém, revendo
o diário, acho que foi algo mais simples: era um domingo, aniversário de meu
irmão e o show era de uma banda de thrash metal, de nome “Sepultura”. Claro
que eu não iria. Um tempo depois, meu pai, seguiria para o trabalho, no Fórum
Ruy Barbosa, ao som do álbum “Arise”, com uma patch do Sepultura costurada na
sua calça jeans rasgada...
No dia 24 de novembro, revendo o acervo da Folha de SP para contextualizar, saiu a seguinte nota: "Freddie Mercury, 45, vocalista do grupo 'Queen', confirmou ontem que está com Aids e pediu, em Londres, união contra a doença." No dia seguinte, a notícia da sua morte. Iniciava o ano atemorizada com a Guerra do Golfo e o terminava assombrada com a Aids, doença que fazia mais uma vítima. Sem mais Mercury (07/09/1946 – 24/11/1991), mas com a certeza de que o show tinha que continuar.
6 de agosto de 2019
Uma vida que se deseja a si mesma
O tempo torna-se tempo humano na medida em que é articulado de um modo narrativo, em compensação, a narrativa é significativa na medida em que esboça os traços da experiência temporal.
Paul Ricoeur
199nta.
12 anos, e já despontava como uma consumidora fiel ao som e imagem juvenil transpassado no rock ´n´ roll. A indústria cultural através dos meios de comunicação – rádio, televisão e cinema, havia se esbarrado em mim, mais uma espectadora, alguém que passaria também a sintonizar o Rock, ouvir, ver, sentir, vestir, consumir, consultar a coluna de discos de um jornal ou prateleiras de uma loja, comprar ingressos. Só faltava conhecer o que estava para além desse mercado, no meio underground.
Até os anos 60, as gravadoras não investiam no estilo de música rock ´n´roll, pois o encaravam como “mais um modismo passageiro da indústria cultural.”¹ E nesse sentido, sobre os anos 80, o cantor Marcelo Nova afirmou existir esse "modismo passageiro" ao comentar, numa entrevista, sobre o impacto que o gênero rock ´n´roll teve no Brasil:
Essa sentença de “modismo passageiro” passou a ser usada também para se referirem aos jovens que ouviam rock. Minha mãe, mesmo, ansiava que a “fase rocker” passasse. No meio rocker, foi adotada para definir algumas pessoas ditas posers ou, literalmente, figurantes do modismo passageiro - aqueles que frequentam a cena underground por um tempo e nunca mais aparecem. Já adulta, esse discurso passou a ser confirmando por pessoas que afirmam que quem ainda ouve rock e frenquenta a cena underground, não passa de um eterno adolescente. Se consumir a música, do mesmo jeito de quando fui apresentada na infância e nas fases pré e adolescente, com curiosidade, paixão e entusiasmo, for ser juvenil, então, isso foi incorporado à consciência adulta. A música foi e é de importância na minha trilha sonora pessoal.
Até os anos 60, as gravadoras não investiam no estilo de música rock ´n´roll, pois o encaravam como “mais um modismo passageiro da indústria cultural.”¹ E nesse sentido, sobre os anos 80, o cantor Marcelo Nova afirmou existir esse "modismo passageiro" ao comentar, numa entrevista, sobre o impacto que o gênero rock ´n´roll teve no Brasil:
"Em termos nacionais, o rock dos anos 1980 era um modismo.
Tanto que isso durou 4 ou 5 anos apenas. Infelizmente, no Brasil isso é assim.
Você tem destaque na mídia por determinado tempo."
Essa sentença de “modismo passageiro” passou a ser usada também para se referirem aos jovens que ouviam rock. Minha mãe, mesmo, ansiava que a “fase rocker” passasse. No meio rocker, foi adotada para definir algumas pessoas ditas posers ou, literalmente, figurantes do modismo passageiro - aqueles que frequentam a cena underground por um tempo e nunca mais aparecem. Já adulta, esse discurso passou a ser confirmando por pessoas que afirmam que quem ainda ouve rock e frenquenta a cena underground, não passa de um eterno adolescente. Se consumir a música, do mesmo jeito de quando fui apresentada na infância e nas fases pré e adolescente, com curiosidade, paixão e entusiasmo, for ser juvenil, então, isso foi incorporado à consciência adulta. A música foi e é de importância na minha trilha sonora pessoal.
E o ano de 1990 iniciou com o Guns ´n´ Roses dando o tom para sentimentos e sensações vividas numa viagem de ônibus, com meu tio e primos, para o Rio de Janeiro, sem nenhum show à vista, mas um Estado que retornaria, anos mais tarde, para shows. Esse ano não
foi expressivo musicalmente nas minhas anotações diárias, mas a década seria. Seguia pré-adolescente, processando as informações, com os ouvidos grudados no rádio, indo a shows e freqüentando as salas de cinema e de casa (TV). As anotações dos aniversários dos artistas ganhavam um molde biográfico. Em julho, a morte de Cazuza, mais um artista que perdia a luta contra a AIDS. Revistas sobre música e cinema enchiam o quarto rosa, inclusive as paredes, com alguns posters de bandas já... Os vinis de meus pais e meu irmão eram agora mais meus do que deles.
Eu ouvia desde música clássica a The Fevers, Frank Sinatra a Madonna, Queen e Iron Maiden. Meu irmão tinha o álbum “Somewhere in Time”. Só um pouco depois, já com outros álbuns do Iron Maiden na coleção, foi que percebi que o vinil estava trocado pelo do “Maiden Japan” (era uma prática comum trocarem os discos nas lojas). Então, o meu primeiro contato com a banda Iron Maiden foi através da capa do álbum “Somewhere in Time”, com o vinil do “Made in Japan”. Bruce Dickinson, na verdade, Paul Di'Anno. Estava sentada no quarto de meu irmão, conferindo o erro do vinil, que ficava guardado dentro do armário com outros... E rindo. A identificação com o Iron Maiden havia sido imediata, a ponto de mudar o meu gosto, em definitivo, da guitarra (Brian May) para o contrabaixo elétrico (Steve Harris).
No ano de 1992, o Iron Maiden saiu em turnê – “Fear of the Dark Tour” - e tocou em agosto, em São Paulo. Eu pedi muito a meu pai para ir vê-los, mas, no auge dos meus 14 anos, tive o pedido negado: “quando você fizer 18 anos, você vai”. Logo depois, uma notícia abateu-me: Bruce Dickinson havia saído da banda para seguir carreira solo. Briguei com meu pai por não ter me deixado ir ao show – “nunca mais vou ver Dickinson”, lembro-me do meu drama como se fosse hoje... Quatro anos depois, como prometido, subia num ônibus, só com headbangers baianos, numa viagem memorosa para a cidade de São Paulo para ver, entre outras grandes bandas, o Iron Maiden (“Monsters of Rock”, 1996). Com Blaze Bayley nos vocais.
Em 1997, Paul Di'Anno saiu em turnê, com passagem por Salvador - BA. O palco foi dividido com a banda baiana, Shadows. Tinha acabado de ser lançado o "Words of Metal", a primeira e única edição impressa do meu fanzine, sob novo nome (antes era "Bluêrgh!"). Apresentou-se em terras soteropolitanas também, Blaze Bayley, carreira solo, após, finalmente eu ter visto o Iron Maiden com Bruce Dickinson nos vocais. E isso foi só no outro século, ano 01, no Rock In Rio III. Dezesseis anos após a primeira edição, onde abriram para o Queen, nove anos após a turnê do “Fear of the Dark”. O Rock In Rio III, até agora (2019), foi o último show do Iron Maiden que vi. Éramos 250 mil pessoas vidradas no palco. Quer dizer, eu, nos telões. Tinha um mar de gente na minha frente. Nesse dia, decidi que nunca mais iria a um show tão grande como aquele. Que não somaria no público apaixonado e descontrolado. Queria sossego e qualidade para poder ver bandas ao vivo e a cores.
Em março de 1990, os ânimos estavam voltados para o evento Hollywood Rock, transmitido pela Rede Globo de Televisão. No mês seguinte, desabafava ter comprado, “finalmente”, um disco de Bon Jovi. Estive presente em shows, ao vivo e a cores, de grupos como Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana. De nenhuma dessas bandas fui fã à época, e sigo sem sê-lo, mas tinha músicas que gostava, músicas que tocavam na rádio. Rádio, meu passatempo ainda favorito, através do qual eu seguia gravando fitas cassete de programas, como o especial de John Lennon transmitido pela Globo FM, no mês de dezembro.

Meu pai não me deixou ir para o show do Sepultura na Concha Acústica (1991). Talvez tenha sido pelo fato de, nessa época, reportagens sobre tribos urbanas - punks, rockabillies, headbangers, skinheads - terem passado na TV, e isso deve ter assustado um pouco... Dez anos depois, vi tocarem no Rock In Rio III, porém, desinteressada na turnê do álbum "Nation", oitavo álbum de estúdio. Apesar de ter chegado a ouvir o "Chaos A.D." e "Roots", já não me identificava mais com o som da banda. E o Kreator, vi apresentarem-se na casa de shows "Rock In Rio Café", juntamente com o Destruction, shows inesquecíveis que entraram para a história baiana, no século seguinte. Gostava tanto do "Matéria Prima", que registrei no diário, na data 05 de novembro, a comemoração do seu centésimo programa.
A inclinação para o Rock estava mais do que definida. Os outros estilos musicais já não chamavam a minha atenção. Não foi coincidência de nesse ano ter ido, pela primeira vez, ao cinema, sozinha. O filme era “Vítimas de uma paixão”, com Al Pacino. E nem de ir a um show, sem a presença de meu pai e família, Legião Urbana (10 de novembro). Havia uma mudança, um novo olhar.
Meus pais foram votar, tomei nota dos seus candidatos, entre eles, para 'governador do Estado', Lídice da Mata. A Bahia vivia sob a politicagem de Antônio Carlos Magalhães, político contra o qual, meus pais fervilhavam no posicionamento adverso ideológico. Collor, então presidente do Brasil, já começava prejudicial ao país, apesar de, em 13 de julho ter sancionado a Lei n° 8069/90, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei que deveria ter significado uma nova forma de perceber a criança e o adolescente.
Fonte:
¹ Livro "Movimentos culturais de juventude", de Antonio Carlos Brandão e Milton Fernandes Duarte. SP: Moderna, 1990.
Dica de leitura:
1. O comportamento do consumidor de música frente às diferentes mídias, publicado em 28/08/2018. Visitado em 05/08/2019.
Meus pais foram votar, tomei nota dos seus candidatos, entre eles, para 'governador do Estado', Lídice da Mata. A Bahia vivia sob a politicagem de Antônio Carlos Magalhães, político contra o qual, meus pais fervilhavam no posicionamento adverso ideológico. Collor, então presidente do Brasil, já começava prejudicial ao país, apesar de, em 13 de julho ter sancionado a Lei n° 8069/90, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei que deveria ter significado uma nova forma de perceber a criança e o adolescente.
Fonte:
¹ Livro "Movimentos culturais de juventude", de Antonio Carlos Brandão e Milton Fernandes Duarte. SP: Moderna, 1990.
Dica de leitura:
1. O comportamento do consumidor de música frente às diferentes mídias, publicado em 28/08/2018. Visitado em 05/08/2019.
O "A" representa a "Anarquia"

Em 1989, houve a primeira eleição presidencial pós-ditadura.
"Em 15 de setembro de 1989 entrava no ar em cadeia nacional, no rádio e TV, a propaganda eleitoral gratuita para as eleições presidenciais. A primeira com voto direto depois de 28 anos. A última fora em 1961, quando Jânio Quadros se elegeu" (Fonte: Estadão Acervo).
Era certo acompanhar a propaganda eleitoral pela TV. Tinha uma ideia vaga da importância histórica, ao mesmo tempo medo do retorno da ditadura e a certeza de um direito, o direito ao voto, que pus em prática, à insistência de meu pai, aos 16 anos, ainda que facultativo. Dessa fase, o jingle de Lula ecooa até hoje.

As passagens sobre política no diário eram vagas, apenas anotações indicativas sobre datas eleitorais. Nunca tive engajamento partidário político. Reforçado foi o ideal anarquista adquirido desde cedo, via panfletos que recebi, durante a adolescência, do movimento anarcopunk de Salvador, apesar de não me identificar em nada com a cultura punk. Não sei de onde surgiu a minha postura mais anarquista, mas assinava o meu nome com o A de anarquia desde sempre...
Anulados foram os meus votos de 1994 (facultativo, aos 16 anos) e 1998 (com 20 anos). No século seguinte, mudaria essa postura, ao ser incentivada por um amigo headbanger: "já passou da hora de se manifestar politicamente, votando." Anular, de fato, havia perdido o sentido.
Anulados foram os meus votos de 1994 (facultativo, aos 16 anos) e 1998 (com 20 anos). No século seguinte, mudaria essa postura, ao ser incentivada por um amigo headbanger: "já passou da hora de se manifestar politicamente, votando." Anular, de fato, havia perdido o sentido.
Dica de Leitura:
1. O Rock Nacional e a Censura Federal.
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3. Censura no rock vira exposição.
30 de julho de 2019
Hoje é o passado do futuro
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| Whitesnake, 1978. |
Presidia a República, Ernesto Geisel. Contrariando a linha-dura do regime militar, enviou uma emenda ao Congresso para acabar com o AI-5, que veio a ser extinto na data de 13 de outubro. O seu sucessor, pela via indireta, último presidente eleito, foi João Figueiredo, ficando no cargo até 1985. Dando sequência à aberta política, assinou o decreto que revogou o banimento de 122 brasileiros e extinguiu a Comissão Geral de Investigações.
Na produção cultural cinematográfica¹ internacional, John Travolta e Olivia Newton-John consagravam-se em "Grease". "Halloween", de John Carpenter, aterrorizava com o personagem Michael Myers. Em cartaz também estava "O Expresso da Meia-Noite", de Alan Parker, o qual vi (em 1985/86) na casa da minha vizinha, à convite dos pais dela: "um clássico." E "Superman", de Richard Donner, com Christopher Reeve, Marlon Brando e Gene Hackman. Esse eu vi em casa quando passou na televisão, com a minha família: um marco!
O cinema brasileiro chegou a produzir 100 filmes em 1978². Destes, um modelar, no universo infatil, que fez parte também da minha infância oitentista, provocador de um saudosismo audiovisual e sentimental, "Os Saltimbancos Trapalhões", de Adriano Stuart.
No jornal da Folha de SP, 30 de dezembro, Nei Duclós, jornalista, expressava-se sobre a música: "existe rock'n'roll, porque existem os Rolling Stones." Considerando o ano de 1978, "um ano pobre" musicalmente, ditou:
"Para dar sorte em 79: que seja melhor, que a discotheque morra, que renasça o melhor do rock, que nos proporcione, no seu final, uma lista mais extensa, mais bonita. Que esta década, época de aprofundamento e de contenção, não termine melancolicamente."
A lista até podia não ser tão extensa mesmo, mas, dentro do que eu gosto, já era épica! O cenário musical também estava sendo montado com a banda Judas Priest em turnê do seu quarto álbum de estúdio - "Stained Class" (de janeiro a agosto),Stained Class Tour. De outubro a novembro, saíram em nova turnê - X Certificate Tour, do novo álbum - "Killing Machine" ou "Hell Bent for Leather". Ozzy Osbourne, por sua vez, entrava em estúdio para gravar o seu último álbum com o Black Sabbath, "Never Say Die!". O Whitesnake estreiava com o álbum "Trouble". Anos mais tarde, pude ver todas essas bandas, ao vivo e a cores. Nas rádios, estavam na lista das mais tocadas: "Whole Lotta Rosie", do AC/DC, e "Dust in the Wind", Kansas.
Fontes:
¹Wikipédia. "1978 no cinema", visitado no dia 25 de julho de 2019.
² "Cultural audiovisual e arte contemporânea",visitado no dia 25 de julho de 2019.
³ Letra da música "A Lâmpada De Edison", Joelho de Porco.
Dicas de leitura:
1. "Comissão de investigação arquivou denúncias contra amigos do regime, mas devassou contas de opositores", por Guilherme Amado, publicado em 16/03/2014; visitado no dia 25 de julho de 2019.
2. "A corrupção durante o regime militar", por Fabio Sasaki, publicado em 30 maio 2018; visitado no dia 25 de julho de 2019.
3. "Ernesto Geisel, o ‘pai da distensão lenta, gradual e segura’ da ditadura militar", por Natasha Correa Lima, publicado em 08/09/16; visitado no dia 25 de julho de 2019.
4. "Último presidente da ditadura, João Figueiredo foi a ponte para a democracia", por Frima Santos, publicado em 03/01/18, visitado no dia 25 de julho de 2019.
5. Joelho de Porco e Didi Mocó. Filipe Albuquerque, visitado no dia 25 de julho de 2019.
Na produção cultural cinematográfica¹ internacional, John Travolta e Olivia Newton-John consagravam-se em "Grease". "Halloween", de John Carpenter, aterrorizava com o personagem Michael Myers. Em cartaz também estava "O Expresso da Meia-Noite", de Alan Parker, o qual vi (em 1985/86) na casa da minha vizinha, à convite dos pais dela: "um clássico." E "Superman", de Richard Donner, com Christopher Reeve, Marlon Brando e Gene Hackman. Esse eu vi em casa quando passou na televisão, com a minha família: um marco!
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| Cartaz promocional do filme "Os Saltimbancos Trapalhões." |
No jornal da Folha de SP, 30 de dezembro, Nei Duclós, jornalista, expressava-se sobre a música: "existe rock'n'roll, porque existem os Rolling Stones." Considerando o ano de 1978, "um ano pobre" musicalmente, ditou:
"Para dar sorte em 79: que seja melhor, que a discotheque morra, que renasça o melhor do rock, que nos proporcione, no seu final, uma lista mais extensa, mais bonita. Que esta década, época de aprofundamento e de contenção, não termine melancolicamente."
A lista até podia não ser tão extensa mesmo, mas, dentro do que eu gosto, já era épica! O cenário musical também estava sendo montado com a banda Judas Priest em turnê do seu quarto álbum de estúdio - "Stained Class" (de janeiro a agosto),Stained Class Tour. De outubro a novembro, saíram em nova turnê - X Certificate Tour, do novo álbum - "Killing Machine" ou "Hell Bent for Leather". Ozzy Osbourne, por sua vez, entrava em estúdio para gravar o seu último álbum com o Black Sabbath, "Never Say Die!". O Whitesnake estreiava com o álbum "Trouble". Anos mais tarde, pude ver todas essas bandas, ao vivo e a cores. Nas rádios, estavam na lista das mais tocadas: "Whole Lotta Rosie", do AC/DC, e "Dust in the Wind", Kansas.
"Hoje é o passado do futuro³." Respirava já, em terras soteropolitanas, os ares do movimento de transformação social. O futuro prometia ser bom, pelo menos, não mais, como era antigamente. Nasci num sábado à noite, neste ano de 1978.
Fontes:
¹Wikipédia. "1978 no cinema", visitado no dia 25 de julho de 2019.
² "Cultural audiovisual e arte contemporânea",
³ Letra da música "A Lâmpada De Edison", Joelho de Porco.
Dicas de leitura:
1. "Comissão de investigação arquivou denúncias contra amigos do regime, mas devassou contas de opositores", por Guilherme Amado, publicado em 16/03/2014; visitado no dia 25 de julho de 2019.
2. "A corrupção durante o regime militar", por Fabio Sasaki, publicado em 30 maio 2018; visitado no dia 25 de julho de 2019.
3. "Ernesto Geisel, o ‘pai da distensão lenta, gradual e segura’ da ditadura militar", por Natasha Correa Lima, publicado em 08/09/16; visitado no dia 25 de julho de 2019.
4. "Último presidente da ditadura, João Figueiredo foi a ponte para a democracia", por Frima Santos, publicado em 03/01/18, visitado no dia 25 de julho de 2019.
5. Joelho de Porco e Didi Mocó. Filipe Albuquerque, visitado no dia 25 de julho de 2019.
29 de julho de 2019
Do You Remember Rock 'n' Roll Radio?
A rádio teve uma importância muito grande no contexto do
golpe de 1964 e do regime militar. Foi através desse veículo, por exemplo, que
as pessoas ficaram sabendo da movimentação das tropas militares e foi por ele
também que o deputado Rubens Paiva fez um discurso pedindo que as pessoas
resistissem ao golpe. E houve resistência contra a ditadura, com um
manifesto do líder da Ação Libertadora Nacional, Carlos Marighella, transmitido
pela Rádio Nacional, após a invasão dos estúdios por um grupo de guerrilheiros.
Nos anos 1970, vieram as rádios FM¹.
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| This is the cover art for "Do You Remember Rock 'n' Roll Radio?" by the Ramones. The cover art copyright is believed to belong to the label,"Sire Records", or the graphic artist(s). Wikipedia. |
Essa época seguinte, das rádios FM, nos anos 80 e 90, acompanhava
o Rock "Nacional e Internacional", e até Heavy Metal, pelas ondas
sonoras. Era o que tinha disponível à época; até hoje, segue como um meio (em Salvador) silencioso
quanto à cena local, com raras exceções, raros momentos de integração sonora. Nos anos 80, a rádio era o meio que proporcionava o conhecimento pessoal de músicas, eu consumia o que era ali transmitido. Desse contato, à aquisição de vinis (eu seguia ainda muito
restrita, enquanto consumidora, ao que meu irmão adquiria). Acontecia, também,
de algumas músicas não "saírem" do rádio pra mim, como a de uma banda
de Rock, aqui da Bahia, que nunca fui para um show ou tive material – Utopia. E
isso não aconteceu só com ela. Vim a conhecer o nome de músicas e de suas
respectivas bandas com o advento da Internet. O perfil consumista voltado para
esse setor veio se firmar só mais tarde, na adolescência, mas sem influência
radiofônica: revistas, lojas de música especializadas e amigos passaram a ser
referência. O que eu era mesmo era uma boa ouvinte até então.
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| Gravações em fitas k7 do programa "Let´s Rock", 92/93. |
Nessa época oitentista, tinha uma estação de rádio que, se
não me falha a memória, era a "96", e era a mais rocker de
Salvador. Depois, ela foi perdendo espaço (no meu gosto, por mudança de estilo,
assim me recordo). Nos anos 90, surgiu a Rádio Transamérica e
“Let´s Rock” era um programa de Marcelo Nova que eu sintonizava, munida de fita
cassete, para gravar entrevistas e/ou músicas que me interessavam. Na segunda
fase dessa década, adentrando o século seguinte, outro programa, o "Cidade
In Rock" (rádio Cidade - atual Metrópole), na voz de Leonardo Leão, deu um
tom que precisávamos, com entrevistas e músicas também de bandas que faziam
parte do cenário underground local. Era comum, nessa época, assisti-lo
na companhia de amigos headbangers, no bar de Jonga. Nesse contexto, importante
mencionar o patrocínio que consegui, junto à Rádio Transamérica, para um evento,
no Pelourinho, com direito a chamadas em meio à sua programação; evento este
que de pop rock e mainstream, não teve
nada!
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| Serafin, eu e Jonga. |
Após essa fase, o rádio deixou, para mim, de cumprir esse papel de conteúdo e conhecimento musical, passando a ser apenas um difusor de música nostálgica, notícias e futebol. Entre uma estação (Rádio Educadora) e outra, já me deparei, recentemente, com Cascadura, Álvaro e Eric Assmar, Retrofoguetes e The Dead Bilies tocando, causando-me um mix de surpresa e orgulho.
O
principal meio de percepção pessoal musical, nos anos 80, foi a rádio.
Ganhei o meu primeiro aparelho, que durou anos, no ano de 1986. Tinha as minhas
estações favoritas. No meu diário de 1989, anotações sobre estar ouvindo rádio
eram constantes, era um dos meus passatempos favoritos. Ficava de ouvir e
gravar. Ainda tenho algumas fitas cassetes com registros dos anos 90. E, sim,
já liguei para pedir músicas do Titãs para tocar... E já liguei para dar
depoimento sobre o primeiro show de Metal que fui em Salvador. Essas
experiências marcaram época.
Fonte:
¹ "Memórias da Ditadura", visitado em 26/07/2019.
Dica de leitura:
1. "100 anos do rádio - pioneiros e primeiras transmissões", publicado em 01/04/2019.
Dica de audição:
1. Manifesto ALN (Ação Libertadora Nacional), publicado em 24/06/2014.
Curiosidade:
Algumas músicas que fizeram parte do repertório dessa fase radiofônica, com a palavra "rádio" em suas letras: "Radio Ga Ga", Queen; "Rádio Pirata", RPM; "Com o Rádio Ligado", Rádio Táxi e "Rádio Blá (blá, blá. blá ....eu te amo)", Lobão. Que, se duvidar, até hoje tocam...
26 de julho de 2019
A sétima arte
Àquela época - 1989, àquela idade - 11 anos, eu fazia anotações no meu diário, sem muitos detalhamentos, sem muita carga emotiva envolvida... Além de registrar shows que fui, registrava os filmes que via também. Não articulava criticamente o momento que vivíamos no país. Mencionava nas anotações datas de aniversário e a morte de artistas que eu gostava, e as eleições presidenciais. Àquela época, a minha visão de mundo estava sendo percebida e construída, com alguns registros vagos no papel.
O Cinema, na década de oitenta, éra-nos apresentado, em larga escala, pela ótica da produtividade americana. Havia também a indústria nacional, de onde os empreendimentos voltados para o público infantil garantiam o sucesso de bilheterias. Foi em plena Ditadura Militar, em meio à censura, inclusive, que criaram uma empresa brasileira de filmes - EMBRAFILME, em resposta a anseios nacionais cinematográficos, tendo esta produzido centenas de longa-metragens "que mudaram estética, política e economicamente a história do audiovisual brasileiro." O público espectador, no ano de 1980, chegou a ocupar 35% do mercado nacional¹. Eu fiz parte do público infanto-juvenil. Era espectadora assídua de "Os Trapalhões," tanto do programa humorístico televisionado, quanto das suas produções para o cinema.
Com a crise econômica que assolava o país, a produção cinematográfica diminuiu ao longo dos anos 80, dando espaço para os curtas (filmes de pequena duração), que renderam premiações internacionais ao Brasil². No final dessa década, houve o declínio da EMBRAFILME, que sofreu uma forte campanha contra o cinema ser matéria do Estado. Em 1990, foi extinta.
Os filmes sempre estiveram presentes na minha vida. Desde pequena gostava de ficar em frente à tela ou da TV ou do Cinema. Com execeção de quando vi "E.T.: O Extraterrestre", no cine ART, do qual tive medo e meu pai saiu comigo da sala. Era uma atividade cultural e precisávamos estar bem vestidos para contemplá-la! A chegada às salas, a fila para comprar o bilhete, a escolha das balas, a pipoca, o refrigerante... A empolgação era tanta, que podia não ter mais lugar para sentar, sentávamos na escada de acesso e de lá não desgrudávamos os olhos da telona! Era comum ver o filme uma, duas, três vezes... Com ou sem idade mínima permitida. Foi assim que pude ver "Dirty Dancing", na companhia de meu irmão, primos e minha tia. Uma vez não, duas, seguidas.
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| Com o vinil da trilha sonora de "Dirty Dancing", em mãos, e Puppy (saudades eternas!). |
Em 1988, eu levei o Cinema para a sala de aula. Era aula de Artes, tínhamos que fazer uma peça. Eu argumentei com os colegas do grupo formado: vamos encenar algo na linha "Sexta-feira 13"... E assim foi, um fiasco, porém um clássico - "Terça-feira 13". A professora ficou horrorizada: a última cena era a da minha morte, atrás de uma porta, onde só aparecia o meu braço melado de ketchup. Importante dizer que nesse grupo estava a minha amiga que, alguns anos depois, me convidou para irmos comprar vinil no Orixás Center. Que juntas fomos ao nosso primeiro show, ao vivo e a cores, de Heavy Metal em Salvador. Quem deu a ideia de fazermos um fanzine, "e por que não?!"
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Selecionei alguns apontamentos do meu diário, ano 1989:
03 a 07 de fevereiro - Carnaval na rua, Barra.
16 de março - primeira carteira de identidade (feita no colégio): "melei os meus dedos todos."
02 de abril - "Ray Man" (cinema)
08 de abril - "Tudo o que você quis saber sobre sexo" (TV)
25 de abril - Show de Rod Stewart (TV)
26 de abril - "Garotos Perdidos" (em vídeo cassete)
22 de maio - "Um Peixe Chamado Wanda" (cinema)
23 de maio - "Três Fugitivos (cinema)
10 e 13 de junho - "Sem Licença para Dirigir" (cinema)
30 de junho - "Loucademia de Polícia 6" (cinema)
---------------- 1 ano de morte de Chacrinha
03 de julho - "Os Amotinados do Presídio" (TV)
14 de julho - "U2 - Rattle and Hum" (cinema)
31 de julho - "Lauro Corona morreu"
02 de agosto - "Luiz Gonzaga morreu"
11 de agosto - "Corra que a polícia vem aí" (cinema)
16 de agosto - aniversário de Madonna
21 de agosto - "Raul Seixas morreu às 5h da manhã"
09 e 10 de setembro - "007 - Licença para Matar" (cinema)
18 de setembro - início da novela "Top Model"
14 de outubro - "Karate Kid 3" (cinema)
22 de outubro - "O palco das ilusões" (cinema)
23 de outubro - aniversário de Pelé
26 de outubro - aniversário de Milton Nascimento
27 de outubro - "Batman" (cinema)
15 de novembro - "Dia da eleição para presidente - Collor e Lula vão para a final"
19 de novembro - Cindy Lauper Especial (TV)
25 de novemrbo - "O Grande Dragão Branco" (cinema)
02 de dezembro - "Jornada nas Estrelas V" (cinema)
10 de dezmebro - "Cemitério Maldito" (cinema)
12 de dezembro - "Sessão da tarde com Jerry Lewis"
13 de dezembro - Aniversário de Luiz Gonzaga
14 de dezembro - "De Volta Para o Futuro II" (cinema)
15 de dezembro - "... E o vento levou" - "que faz 50 anos de sucesso" (TV)
- "As sete faces do Dr. Lao" (TV)
17 de dezembro - Dia de escolher o novo presidente do Brasil (segundo turno) que vai governar até 1995. Collor eleito.
- "Caça-Fantasmas II" (cinema)
18 de dezembro - "Os Trapalhões na Terra dos Monstros" (cinema)
- "Peggy Sue - Seu Passado a Espera" (TV)
26 de dezembro - ganhei um violão - influenciada por Brian May (guitarrista do Queen)
Cronologia, ano 1989, apresentada no livro "Movimentos culturais de juventude³":
- Massacre dos estudantes chineses na Praça da Paz Celestial (no centro de Pequim, capital da China), porque pediam reformas políticas e econômicas.
- Derrubada do Muro de Berlim, resultado processo de redemocratização dos países comunistas do Leste europeu.
- Eleições presidenciais no Brasil, após 29 anos.
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Fontes:
¹ "A Embrafilme", por Comunicação CTAv, publicado em 10/10/2008; visitado em 26/07/2019.
² "Cinema do Brasil", Wikipédia, visitado em 26/07/2019.
³ Livro "Movimentos culturais de juventude", de Antonio Carlos Brandão e Milton Fernandes Duarte. SP: Moderna, 1990.
Dicas de leitura:
1. "Quando Os Trapalhões eram os reis do cinema", por Sandro Moser, publicado em 08/08/2014.
2. "Cinemas antigos de Salvador deixam saudade e nostalgia; descaso é o que sobrou deles", por Daniel Silveira, publicado em 30/04/2015.
24 de julho de 2019
Confissões de Pré-Adolescente

Até 1989, os shows locais passavam-me desapercebidos e ainda nem sabia do universo musical do Heavy Metal, no qual ingressaria posteriormente. Com base firmada na geração da primeira edição do Rock In Rio (1985), absorvia, nas mídias televisivas e radiofônicas, o impacto fenomenal de bandas como o Queen - na ponta da língua e nas palmas das mãos, Rod Stweart, Blitz, Lulu Santos, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, etc... Era música, era ao vivo, era show.
Em 1985, o grupo porto-riquenho, Menudo, apresentou-se no dia 02 de março, na Fonte Nova. Eles estavam
hospedados no Hotel da Bahia, e eu presenciei, através do
vidro de um Corcel 2, uma multidão em frente ao hotel,
enquanto seguia para o colégio. Essa ida pro colégio não poderia ser sem um vinil
do grupo – “Reaching Out” e/ou “Mania” - debaixo do braço para, na hora do
recreio, “Luiz do som” colocar para tocar. Promovi uma tarde de histeria infantil
coletiva! Não fui para esse show e, anos depois, vendo a data, foi que me
lembrei/entendi o por quê: estávamos de luto. O meu saudoso avô paterno havia
falecido num acidente de carro, e seguíamos torcendo pela recuperação plena de
meu tio. Vida ceifada de forma trágica, uma perda inestimável para nós, para a
nossa família.
Em 1986, era gravado o álbum ao vivo da banda baiana Camisa de Vênus, “Viva”. Eu e meus primos ouvíamos a fita cassete escondidos, no quarto dos fundos da casa de praia em que veraneávamos, devido aos palavrões. No ano seguinte, entregava a fita para uma colega de sala (que se dizia sobrinha de Marcelo Nova) conseguir um autógrafo. Em vão. Em "O Adventista", Marcelo perguntava e apresentava a música: "Tem alguém aí que acredita? O hino da Nova República":
Eu acredito na manutenção da ordem pública
Eu acredito na Nova República
Eu acredito, haha!
Eu acredito
Eu acredito nos livros da estante
Eu acredito em Flávio Cavalcante (jornalista)
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais!
Percebia o Rock Nacional. Em meio a músicas infantis e MPB, o Rock, com a sua combinação harmoniosa e expressiva de sons e letras, dava o tom daquela década.
Alguns shows que tenho registrados em diário - Titãs (28/MAI/1989) e Ultraje a Rigor & Uns e Outros (10/JUL/1989), ambos na Concha Acústica. Era meu pai (fã de Luiz Gonzaga) que ia comigo, meu irmão e meus primos para esses eventos. Do Titãs, o clima rocker mais adulto, as roupas pretas, a performance de Arnaldo Antunes que vibrava para além do palco, a animação de poder ver, ouvir e participar cantando e gritando para o Brasil inteiro ouvir:
Bichos, saiam dos lixos
Baratas, me deixem ver suas patas
Ratos, entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
O Ultraje a Rigor trazia o lado irreverente, descompromissado com as suas letras divertidas, "Sexo!", "Nós vamos invadir a sua praia", "Inútil" e o grupo Uns & Outros, banda de uma música só e tocada algumas vezes - "Carta aos Missionários", davam, na sequência, o sentido de uma vida de ida a shows... Aquele clima era bom! As músicas eram muito boas, significavam, exalavam juventude, vida. Havia diversão, havia emoção, era empolgante, era insubordinado, era revolucionário.
No mês de novembro de 1989, há ainda registros de shows que fui no Clube Espanhol e no Colégio Antônio Vieira - as "mostras de som". Na TV Globo, assistia o Especial de Cindy Lauper (19/NOV/1989). Os shows ao vivo e a cores só estavam ganhando forma...
Ao fim do ciclo oitentista, Raul Seixas faleceu em 21 de agosto. Lembro-me, perfeitamente, de uma apresentação dele, no programa do Chacrinha, cantando "Cowboy Fora da Lei." Na letra, uma "contestação da versão oficial divulgada pela imprensa, de que o futuro presidente do Brasil tinha coincidentemente adoecido antes da posse"¹:
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Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
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Para quem não se lembra ou não sabe, o Brasil iniciava um trajeto democrático, após 21 anos sob o Regime Militar, com a eleição indireta de Tancredo Neves, que, por problemas de saúde, veio a falecer, confirmado, então, ao cargo de presidente da Nova República, o vice, José Sarney. Havia o medo de uma crise política. Da volta dos militares. Circulavam "teorias de conspiração alegando que Tancredo, na realidade, tinha sido assassinado a mando do regime ditatorial"². E Raul cantou. Minha mãe, chorosa, fez eu mudar de canal para ela acompanhar notícias sobre a morte de Tancredo Neves: o Brasil estava de luto e com medo.
Na Nova República, no ano de 1988, era promulgada a nossa Constituição Federal, instituído, portanto, o Estado democrático de direito e a república presidencialista. Em 1989, houve a realização das eleições diretas, após 29 anos, para Presidente da República, onde foram para o segundo turno Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Melo, sendo este, eleito.
Na rádio, as músicas mais tocadas eram "Pais e Filhos", do Legião Urbana; "I´ll be there for you", de Bon Jovi; "Patience" e "Paradise City", do Guns N´Roses; "If I Could Turn Back Time", de Cher e "Like a Prayer", de Madonna. A década de 90 prometia, as estações já vinham mudando, e muitos shows estavam por vir!
Fonte ¹ e ²: "A história e as origens de Cowboy Fora-da-Lei", por Flávio Magalhães.
Dica para leitura: "Os ecos de 1989 na eleição de 2018", por Jean-Philip Struck, em 24/07/2019.
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